terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ØØ7 Contra o Boquete da Morte

*ou "ThunderBallCat"?

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Estava lendo a Entrevista Com o Diabo no blog do Bispo Macedo.
Suponho que Lúcifer esteja entrando em contato com seu advogado (rá!) neste exato momento porque, vocês sabem, a mídia tem o hábito de distorcer tudo que as celebridades dizem e a imagem que eu tenho do bom e velho Samael é de um menino mimado e com sérios problemas paternais.

Entretanto, isso me levou a uma linha de pensamento divertida ao ler o post do MVSMotta em seu blog Contra a Correnteza. Sobre Téssalia "Twittess" Sirighelli e como os dois assuntos tem uma interseção quase imperceptível ao olhar casual.

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Twittess, participante do Big Brother Brasil, gera controvérsia no meio das redes sociais. Há uma grande maioria que a detesta e outra parcela que a apóia, cada uma com seus motivos justos ou não tão justos. Eu não odeio ou adoro, como poderia se nem a conheço? Porém, como de hábito, a discussão é pautada pelo bom e velho relativismo moral que não é só do brasileiro, é da condição humana. Um fator que os analistas de ocasião [ leia-se: eu, tu, eles, nós, vós, eles] não se aprofundam muito. Explico...

Não existe nada que Twittess tenha feito que qualquer um de nós não faça ou fará sob a condição adequada. Nós trapaceamos, nos aproveitamos financeiramente dos outros, nós mentimos, manipulamos, trepamos com quem não devíamos e satisfazemos nossos desejos em detrimento dos sentimentos alheios no curso de toda uma vida mais vezes do que se pode contar nos dedos.

Só não falamos disso em público.

Porque não queremos, nunca, que isso nos defina. E não queremos que nossa fragilidade seja exposta em praça pública. Gostamos de pensar que podemos ser melhores do que isso. Não queremos ser nivelados por baixo. E isso "criou" o Diabo nas diversas transliterações mundiais. O Diabo nada mais é do que a expiação da culpa por sermos do jeito que somos. Não somos culpados, ele é que é. Ele que nos faz cometer atos indignos, borra nossa definição de certo e errado, nos desvia do caminho... bullshit!...

Por isso toda sociedade estabelece regras de convivência que torne a vida em conjunto vigiada e restritiva para que não "escorreguemos" em caos. O que Twittess fez foi gradativamente quebrar um monte delas de uma vez só. No início, ela era considerada só trapaceira. Depois, passou a ser trapaceira e aproveitadora. De trapaceira e aproveitadora, adicionou-se "mãe adolescente". No início do ano, ela passou a ser Trapaceira-Aproveitadora-Mãe-Adolescente-Aspirante-à-Fama na visão de quem já a odiava. E, na oportunidade ideal para mostrar a todos que tudo não passava de preconceito, o que ela faz? Deixa a bola cair. Provavelmente em sua boca. Ou caiu de boca nas bolas. Eu não sei, estou apenas especulando.

Anyway... o ponto é que ao resolver dar para o único compromissado na casa do BBB - e em público - ela concatenou a imagem de promíscua. Aí é demais para a sociedade aguentar o tranco. E na falta de fogueiras santas de Salem ou exorcismos, a sociedade rebate com pilhéria pesada. Ela se torna o Judas perfeito para se malhar no Carnaval. O retrato de tudo que "está errado na juventude". A Prostituta da Babilônia sentada na besta de várias cabeças. Ou, no caso do Michel, de uma cabeça só: a de baixo.

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Não há certo ou errado no caso, entendam. Aliás, nem me importo com essas definições. Posso apenas afirmar, pela minha experiência, que é completamente normal a reação social. Não foi o boquete, foi a afronta pública. Foi a decisão de expor o que todo mundo decidiu, até o momento, que pertence à privacidade de suas camas. Não é diferente de acordar um dia e resolver que tirar meleca no restaurante com os amigos é perfeitamente natural. É como pintar o cabelo de laranja e achar que todas as outras pessoas vão considerar lindo.

E o componente mais importante para se entender a reação social: ninguém a obrigou a nada disso, ela não apareceu no YouTube por acidente ou maldade de ex-namorado. Ela escolheu cada movimento que fez.

Então, agora, chupa Tessália...

4 comentários:

  1. Ela perseguiu a fama, isso é um fato e a fama tem seus ônus, dentre eles a detração pública. Mas o componente da hipocrisia e do comportamento de manada da massa está sempre presente e é isso o que eu discordo.

    Um abraço, seu texto é muito bom.

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  2. James, vc tem um atalho que mostre o ato que atordou a sociedade brasileira que assiste ao BBB?

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  3. hahahaha.. muito bom o texto! parabéns!

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