Espionagem | Táticas | (falta de) Etiqueta para o dia-a-dia
Se você mora em apartamento e cedo ou tarde vai querer jogar algo pela sua janela ao menos seja profissional. Aprenda com os atiradores de elite (snipers) das forças especiais. Um sniper urbano do serviço secreto nunca se posiciona perto da janela ou deixa qualquer parte de sua arma exposta arriscando que o brilho do sol denuncie sua posição.
Então, ao explodir tórax e cabeças inimigas ou jogar fora o papel higiênico com seu catarro tenha sempre em mente que a) no momento do disparo mantenha as luzes apagadas e distância apropriada dos umbrais e b) capriche na força e trajetória da bal... do dejeto... para que mesmo que algum vizinho fofoqueiro perceba o objeto ele não possa transformar você em assunto da próxima reunião de condomínio.
Porque afinal de contas ninguém quer afegãos vingativos ou um síndico furioso em sua perseguição, quer?
sábado, 28 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Um Álbum às Terças
Você só vai parar de ouvir sobre o Homem de Uma Luva Só quando o Retrospectiva 2009 acabar e o ano findar. Porque não experimentar ouvir as músicas do Rei do Pop de um jeito diferente? Baixe (ou compre) o Chill n' Michael.

O álbum de lounge music começa com Thriller de uma maneira que não assusta ninguém. A partir daí há Billie Jean, Beat It, Human Nature em chill'out music para surpreender os amigos naquela reunião na sua casa ou para ouvir no trânsito.
Pule Black And White, pois acho que é uma música que só fica boa na voz e arranjos do próprio Moonwalker. Falando nisso, não há Smooth Criminal na lista, mas não compromete.
Felizmente há Rock With You para garantir que você tenha uma desculpa ótima para chamar pra dançar até a mais hipócrita protetora dos direitos da criança e do adolescente.
O álbum de lounge music começa com Thriller de uma maneira que não assusta ninguém. A partir daí há Billie Jean, Beat It, Human Nature em chill'out music para surpreender os amigos naquela reunião na sua casa ou para ouvir no trânsito.
Pule Black And White, pois acho que é uma música que só fica boa na voz e arranjos do próprio Moonwalker. Falando nisso, não há Smooth Criminal na lista, mas não compromete.
Felizmente há Rock With You para garantir que você tenha uma desculpa ótima para chamar pra dançar até a mais hipócrita protetora dos direitos da criança e do adolescente.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Contos de Espionagem
Capítulo 11 - A Mulher Com Cheiro de Tâmaras
Ela caminhava por entre as ruas com desenvoltura e a firmeza de quem não é apenas visitante. Os seus passos, não obstante, denotavam pressa e ansiedade de chegar cedo no encontro marcado previamente. Vestia um terno feminino marrom e enormes óculos escuros, muito desproporcionais, que escondiam seu olhar por trás de lentes grossas e soturnas.
Numa manhã de sol como esta ela jamais passaria despercebida em vários lugares do mundo e New York era um deles. Na cidade que dizem nunca dormir, os seus olhos estão sempre atentos para quem passa. Ela saltara de um táxi resolvendo ir a pé até o prédio luxuoso localizado na Broadway Avenue, próxima da 5th Avenue, onde seu empregador a esperava. Chegando à recepção do prédio, falou rapidamente com a segurança, cuja indicação do elevador correto ela agradeceu e apertou o botão apropriado. As portas se fecharam atrás dela quase no mesmo instante em que entrou no cubículo móvel que a conduziu ao último andar. No abrir de portas, um apartamento gigantesco e bem decorado, do tipo que se vê em revistas de imprensa marrom, revelou-se para ela.
Um serviçal de origem árabe a recebeu, oferecendo um drinque e avisando-a ficasse à vontade e que, quando retornasse, traria o que ela viera buscar. O serviçal profissionalmente conteve seu arrebatamento quando a mulher convidada retirou seus óculos e soltou seus longos cabelos vermelhos em demonstração de relaxamento e acolhimento. Antes de se retirar a outros cômodos e retornar a seus afazeres o serviçal não pôde deixar de espiar uma vez mais a misteriosa figura agora sentada adequadamente na sala de estar.
Pele muito branca, olhos sagazes, cabelos vermelhos de uma cor nunca vista em seu país antes, como só mesmo as ocidentais poderiam mixar as cores. Apesar de sua roupa discreta ele deduzira que seu corpo magro e esguio guardava secretamente curvas nos lugares adequados. Era certamente alguma nova aquisição de seu mestre. Por um momento, ficou feliz em servir a um homem de tanto bom gosto e desejou por um momento estar em seu lugar. Ter o seu poder.
A mulher aguardou pacientemente até que seu relógio marcou 15 minutos desde que chegara ao recinto. Seguindo seus instintos, imaginou que algo podia estar errado. De maneira discreta, percorreu com os olhos o cômodo em busca de câmeras que certamente a observavam e se dirigiu até o bar, onde imaginou ser a melhor posição no momento. Atrás do balcão, admirou algumas garrafas, remexeu algumas taças como se buscasse a combinação ideal para uma coquetel. Finalmente agarrou um balde de gelo e enquanto preenchia um copo de whisky deixou secretamente escorregar algo para dentro. Neste momento, o serviçal voltou aparentando tranqüilidade e sorriu ao ver que ela carregava o balde de gelo com ela ao retornar para o sofá. Deixou-o na mesa em frente e apenas serviu-se de uma pequena dose da garrafa que apanhara.
"Meu mestre infelizmente não poderá se apresentar, mas falará com você por conferência." - disse o serviçal, ligando um botão que fez descer uma tela grande e que revelou, após alguns toques de controle remoto, a face de seu empregador. Depois prostrou-se numa posição e lá ficou, imóvel, por detrás da mulher. Um movimento que não passou despercebido.
"Bom dia, minha cara." - a voz iniciou.
"Bom dia. O seu convite foi inesperado. Normalmente nossos negócios são resolvidos por meios de sempre."
"Sim, mas este ainda está incompleto."
"Incompleto ? O mundo inteiro viu Faishad Al-Haud ser assassinado e a honra inglesa ser humilhada ao vivo !" - A mulher semi-cerrou os dentes mostrando orgulho.
"Não questiono seus métodos ou eficiência, minha cara amiga, e sim as conseqüências dos atos perpetrados. Recebi informações que agentes aliados estão investigando o seu colega morto."
Ela calou-se por um momento e pensou um pouco sobre o que foi dito. Maturou as idéias e chegou à conclusão óbvia.
"Mohamed" - respondeu calmamente.
"Exatamente. Cedo ou tarde eles chegarão a você. Chegando a você, podem chegar a mim.. não, não diga nada, você sabe que eles podem conseguir se tiverem a força de vontade necessária... o resto, você conhece."
"Não me ameace, é muito indelicado de sua parte."
"Eu não faço ameaças, minha cara, apenas estou mostrando os fatos e seu provável desenrolar."
A mulher ruiva tomou uma decisão ao ouvir estas últimas palavras. Puxou o balde de gelo para mais perto, fora do alcance da visão do serviçal e pegou mais uma pedra.
"Então está decidido. Eu vou eliminar os agentes responsáveis pelo caso e isso atrasará a investigação tempo suficiente para você completar seu grande plano." - disse com muita ironia o final de sua frase.
"Mais 2 milhões de dólares cobrirão seu infortúnio?"
"É aceitável, uma vez que não é ninguém importante desta vez."
E continuou :
"Mas eu não gostei de sua atitude. E, apenas por isso, vou ter que lembrá-lo do porque me contratou para este trabalho."
Levantou-se velozmente, atingindo com seu cotovelo o nariz do serviçal, atrás dela, que caiu de joelhos pela dor. Em seguida, alcançou com a mão a pequena beretta que escorregara de sua manga para o balde de gelo e a apontou para a gigantesca tela.
Por um momento, o seu empregador mostrou incredulidade pela brutalidade ocorrida e a insanidade de ver aquela linda mulher apontar a arma para a tela de um monitor.
Sorrindo, ela desviou a mira para o serviçal, ainda no chão, e disparou em sua testa antes que ele pudesse sequer protestar. O árabe caiu morto e um filete de sangue muito fino escorria de sua cabeça.
"Isto foi desnecessário." - o homem disse, friamente.
"Não. Não foi."
"As informações sobre seu alvo e planos estão dentro da túnica dele." - disse o homem. Ela foi até o corpo, guardou a arma e procurou por um envelope na túnica do serviçal. Depois pegou o controle remoto, apontando-o na direção do monitor.
"Agora ambos sabemos do que somos capazes. Entro em contato quando terminar a missão." - e desligou o aparelho.
Abrindo o envelope, achou um passaporte brasileiro e um resumo da missão junto com números de contatos para buscar apoio no local. Pôs seus óculos escuros e chamou o elevador, sorrindo ao notar que no passaporte constava um nome que ela não saberia pronunciar direito. A língua portuguesa nunca fora seu forte, nada que a impedisse de usar passaportes de lá. Depois de tantos anos, já quase esquecera seu nome verdadeiro de tantos que já assumira e vivenciara, mas no mundo de mortes súbitas e atos hediondos ela era conhecida por apenas um nome.
Kali. O nome de uma santa cigana européia. Mas escolhera também em homenagem à deusa hindu da morte e destruição. Pois era, atualmente, a assassina mais perigosa do mundo.
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Contos
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Um Gadget às Sextas
Existem os paranóicos e existem os mortos. Ok, talvez não mortos mas certamente famosos na internet por algum arquivo capturado de seus próprios telefones celulares. Se você é como eu, provavelmente usa criptografia para guardar informações sensíveis no celular... fotos de satélite de campos de treinamento do Hesb'Allah, a receita secreta de C4 da sua bisavó ou as fotos da Fernanda Young na Playboy.
Mas se quiser realmente se sentir seguro, você pode tentar o muy discreto o Sectéra® Edge™, da General Dynamics.

O Sectéra Edge possui todas as boas funcionalidades de um smartphone tradicional e alguns extras curiosos, tais como telefonia, e-mail e wi-fi totalmente seguros através dos mais avançados protocolos virtualmente inquebráveis, resistência a quedas, areia, calor, água, café ou ejaculação acidental. Sendo o único celular certificado SME PED, ele é considerado por todos o celular mais seguro do planeta. E é o que Barack Obama usa.

Com o custo de $3.000 dólares, a General Dynamics só esqueceu de investir em apenas um lado, o do design. Ele é mais feio do que bater em mãe com punho fechado. Entretanto, se você está preocupado é com a segurança dos três últimos convites pro Novo Orkut guardados em seu GMail, sofisticação não é exatamente sua preocupação, certo?
Mas se quiser realmente se sentir seguro, você pode tentar o muy discreto o Sectéra® Edge™, da General Dynamics.
O Sectéra Edge possui todas as boas funcionalidades de um smartphone tradicional e alguns extras curiosos, tais como telefonia, e-mail e wi-fi totalmente seguros através dos mais avançados protocolos virtualmente inquebráveis, resistência a quedas, areia, calor, água, café ou ejaculação acidental. Sendo o único celular certificado SME PED, ele é considerado por todos o celular mais seguro do planeta. E é o que Barack Obama usa.
Com o custo de $3.000 dólares, a General Dynamics só esqueceu de investir em apenas um lado, o do design. Ele é mais feio do que bater em mãe com punho fechado. Entretanto, se você está preocupado é com a segurança dos três últimos convites pro Novo Orkut guardados em seu GMail, sofisticação não é exatamente sua preocupação, certo?
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Uma Arma às Quartas
Algumas pessoas tem receio em falar em público, outras apenas não gostam de se expor demais. Até mesmo para um agente secreto a timidez e o medo de se sentir vulnerável (principalmente à balas) é um obstáculo para sua profissão. Pensando nisso, o exército israelense criou o CornerShot, a arma periscópica.

O CornerShot é, de maneira simplista, um encaixe para diversas armas (normalmente semi-automáticas) permitindo que quem o empunhe possa disparar de um ponto seguro, onde seu alvo não possa atingí-lo ou sequer avistá-lo em alguns casos.

A mira é feita através de um monitor de LCD que dá ao operativo o ângulo correto onde a arma encaixada está apontada. Funciona com Berettas, Glocks, Lança-Granadas, etc, tendo alcance efetivo máximo de 200m, perfeito para alvejar sequestradores, homens-bomba e amigos de trabalho traíras sem que eles percebam.

Seguindo as novas tendências, o CornerShot vem com cartão de memória suficiente para 2 horas de gravação para que você possa rever com os amigos seu último asassinato nos intervalos do futebol, para impressionar as meninas com sua avantajada mira ou para animar aquele churrasco sem graça na casa da sogra.
O CornerShot é, de maneira simplista, um encaixe para diversas armas (normalmente semi-automáticas) permitindo que quem o empunhe possa disparar de um ponto seguro, onde seu alvo não possa atingí-lo ou sequer avistá-lo em alguns casos.
A mira é feita através de um monitor de LCD que dá ao operativo o ângulo correto onde a arma encaixada está apontada. Funciona com Berettas, Glocks, Lança-Granadas, etc, tendo alcance efetivo máximo de 200m, perfeito para alvejar sequestradores, homens-bomba e amigos de trabalho traíras sem que eles percebam.
Seguindo as novas tendências, o CornerShot vem com cartão de memória suficiente para 2 horas de gravação para que você possa rever com os amigos seu último asassinato nos intervalos do futebol, para impressionar as meninas com sua avantajada mira ou para animar aquele churrasco sem graça na casa da sogra.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Eu Adoro Cheiro de Napalm e Pão Quente na Manteiga Pela Manhã
Nada mais entediante para um Agente de Sua Majestade do que a responsabilidade de marcar um encontro para um dead drop, um encontro preliminar com um possível informante ou mesmo para um rápido jantar e não ter um bom lugar favoritado para ir. Se você, operativo que não conhece São Paulo muito bem e está cheio de dúvidas eu recomendo a Bella Paulista.

A Bella Paulista funciona 24 horas em qualquer dia da semana e oferece amplo cardápio de opções para o turista recém-chegado, para o notívago morto de fome ou simplesmente para aquels que, como eu, às vezes tem que esperar o metrô (alí do lado) abrir para ir para casa. Por conta disso, vive lotada.
Antes de pensar no caso de assassinar silenciosamente seu informante não deixe de pedir o sanduíche Perdizes no Baguete ou a Banana Split de Chocolate e Flocos. São enormes e você não vai conseguir comer tudo sozinho. Deixe o trabalho para depois.
Como é uma padaria, além das opções à la carte, o estabelecimento tem também doces, sorvetes, pães diversos, café, buffet de sopas e adega. Tudo para deixar satisfazer o mais sensível dos paladares. Um dos poucos defeitos da casa é não ter wi-fi disponível para os clientes, o que numa metrópole como São Paulo já é tão comum que até o McDonald's tem.
Ah, sim... caso queira estrear sua pistola de cerâmica favorita, este é o momento. A entrada possui alarmes e detectores de metal.
A Bella Paulista funciona 24 horas em qualquer dia da semana e oferece amplo cardápio de opções para o turista recém-chegado, para o notívago morto de fome ou simplesmente para aquels que, como eu, às vezes tem que esperar o metrô (alí do lado) abrir para ir para casa. Por conta disso, vive lotada.
Antes de pensar no caso de assassinar silenciosamente seu informante não deixe de pedir o sanduíche Perdizes no Baguete ou a Banana Split de Chocolate e Flocos. São enormes e você não vai conseguir comer tudo sozinho. Deixe o trabalho para depois.
Como é uma padaria, além das opções à la carte, o estabelecimento tem também doces, sorvetes, pães diversos, café, buffet de sopas e adega. Tudo para deixar satisfazer o mais sensível dos paladares. Um dos poucos defeitos da casa é não ter wi-fi disponível para os clientes, o que numa metrópole como São Paulo já é tão comum que até o McDonald's tem.
Ah, sim... caso queira estrear sua pistola de cerâmica favorita, este é o momento. A entrada possui alarmes e detectores de metal.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Um Álbum às Quintas
O novo álbum dos Kings of Convenience já circula na internet há algum tempo mas só recentemente pude apreciá-lo como se deve. Declaration of Dependence é seu nome. Juro.

Não escutem os fãs decepcionados porque o álbum não é brilhante. Não escutem os fanáticos sem senso crítico que dizem *hallellujah!* para tudo que a dupla Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe fazem. Eles escorregam, sim, vez em quando. Relaxe... aproveite a primeira faixa 24-25 que é capaz de deixar qualquer um com vontade de ser indie e cult e ouvir boa música em frente à uma lareira escandinava.
Depois pule para Renegade, onde você vai ver que a magia ainda está lá... "go eaaaasy on me" ... talvez você estranhe Boat Behind de primeira. Escute algumas vezes, deixe chegar até você.
Daí para Mrs. Cold, Second to Numb, Me in You e o resto do álbum é ladeira abaixo. No melhor sentido da frase.
Não escutem os fãs decepcionados porque o álbum não é brilhante. Não escutem os fanáticos sem senso crítico que dizem *hallellujah!* para tudo que a dupla Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe fazem. Eles escorregam, sim, vez em quando. Relaxe... aproveite a primeira faixa 24-25 que é capaz de deixar qualquer um com vontade de ser indie e cult e ouvir boa música em frente à uma lareira escandinava.
Depois pule para Renegade, onde você vai ver que a magia ainda está lá... "go eaaaasy on me" ... talvez você estranhe Boat Behind de primeira. Escute algumas vezes, deixe chegar até você.
Daí para Mrs. Cold, Second to Numb, Me in You e o resto do álbum é ladeira abaixo. No melhor sentido da frase.
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terça-feira, 15 de setembro de 2009
Contos de Espionagem
Capítulo 10 - Um Jogo Para Dois
Enquanto as mãos de ßønd cravavam-se nos quadris de Sarah puxando-a para si, penetrando-a mais e mais fundo, ele sentia o seu perfume e observava excitado o balançar de seu cabelo e percebia que ela não mudara quase nada desde a última vez que estiveram tão próximos. Talvez um pouco mais velha e experiente, sim, mas a insolência em seus olhos, o calor que emanava de seu corpo e a ilusória sugestão de ingenuidade ainda estavam ali intactas.
Uma estocada forte a fez levantar o rosto e abafar um gemido que só a antecipação do gozo poderia provocar. Aumentou o ritmo, desajeitadamente beijando suas costas e velozmente a consumindo profundamente como se fosse a última mulher de sua vida.
Subitamente, a virou, ergueu seu delicado corpo nos braços e a sentou na enorme escrivaninha ao lado da cama do apartamento onde estavam. Abrindo suas pernas, postou-se no meio delas e lentamente se aproximou num encaixe perfeito, quente, até que suas bocas estivessem próximas o suficiente para um beijo, que ela retribuiu vorazmente. Algumas horas se passaram quando ßønd finalmente acordou e viu Sarah Bat-Seraph dormindo ao seu lado na cama, que ele não esperava estar esta noite e também onde tudo começou.
--X--
Após a fuga, ßønd decidira se abrigar aonde seus perseguidores não conseguiriam deduzir... na propriedade do seu contato assassinado. O Aston Martin brilhava por entres as vielas agora escuras do Jardim Europa, observado por poucos transeuntes e vigilantes que pareciam não estar familiarizados com seu automóvel. Sabia que era uma questão de tempo até serem localizados pela polícia local, caso alguma testemunha os tivesse visto partir.
"Eu sei que você sabe onde estas chaves se encaixam, Sarah." - disse balançando o chaveiro que retirara do corpo de Schuved.
"Sim, eu realmente sei. Mas não iremos para o apartamento dele. Ele possui um outro local que é ideal para nós e do qual poucos sabem a respeito."
Ela o conduziu até um bairro discreto e pequeno perto dali, limitado por avenidas, numa área nobre da cidade. Sarah parecia conhecer muito bem o caminho e - principalmente - a casa de Schuved. Ele se surpreendeu. A relação deles era mais profunda do que imaginara, mas não era hora de pensar em mexericos, e sim em sobreviver a esta noite em algum lugar seguro.
Ao estacionar o Aston e travar seu sistema de segurança no nível máximo subiram em seguida a escadaria para andar superior que se revelaria a entrada de um espaço único, como um loft, muito bem decorado com detalhes étnicos nativos e pouco lembrando a origem de seu dono, a não ser por alguns livros políticos em estantes de madeira de lei e símbolos judaicos aqui e ali dispersos. Lembrava a ØØ7 sua casa no campo, onde usava para fugir dos problemas e levar novas namoradas e amantes.
Um refúgio desligado de sua vida cotidiana. Sentiu certa simpatia pelo homem que agora jazia morto em algum lugar da cidade e que abusavam de suas posses neste instante. Sarah estava sentada na cama queen size, espalhada, retirando sua arma do coldre em suas coxas, retirando o pente e colocando ambos em cima do criado-mudo. Seu olhar tornando-se distante a cada segundo e sua boca nada dizendo.
Ele olhou ao redor e encontrou algo desconcertante. Fotos de Sarah sozinha ou acompanhada do homem que conhecera brevemente, mais jovens e felizes, sempre com um sorriso inocente e descontraído. Então ßønd percebeu que cometera um erro de julgamento que agora estava claro à sua frente.
Aproximou-se de Bat-Seraph e disse :
" Não era seu amante... era... "
Ela voltou apenas o rosto e por alguns instantes o analisou, pensando na resposta e se ela deveria mentir ou dizer a verdade. Algumas lágrimas desceram sem controle, ao que ela revelou :
" ... fomos criados como irmãos."
Sentiu que deveria ficar em silêncio agora, entretanto, a curiosidade era mais forte do que ele - "E como conseguiu esconder isso do serviço de inteligência ?"
"Eles sabiam." - respondeu e após respirar fundo, continuou : "após nosso ingresso no Mossad, foi decidido que deveríamos mudar de identidade e histórico para que nossa família não fosse alvo de retaliações."
Tudo se encaixava perfetamente, se fosse verdade. A sensação familiar e o incrível conhecimento dos caminhos da cidade. O motivo verdadeiro pelo qual tinha sido escolhida para ajudá-lo. Não tinha a ver com seu passado em conjunto e sim, como uma imensa vantagem ter uma agente que conhece o campo de batalha. Mas o preço disso saiu caro demais para ela.
"Então Sarah Bat-Seraph seria, na verdade... Ruth... Mariah.. ?" - perguntou.
"Sarah... Sarah Kadoch. Eu pedi que este link com meu passado fosse mantido. E acabei me acostumando com Bat-Seraph. É um nome imponente, não acha ?" - sorriu de sua própria amargura. Ela estava muito vulnerável, talvez pela primeira vez em anos e ßønd não quis pressiona-la mais. Tantas perguntas gostaria de fazer mas as que importavam para o momento estavam muito transparentes.
Por uma questão de urgência, o Mossad permitiu que ambos trabalhassem juntos neste caso. Para todos os efeitos a sua relação para os olhos de quem não os conhecia passaria como de amantes e não de família, o que justificaria visitas e contatos ocasionais, cuja ocorrência se disfarçaria de atitude anti-ética entre profissionais e nada mais. Outros serviços de inteligência jamais permitiriam isto, mas o Mossad era diferente e já sacrificara tanto de seus membros que este pequeno arranjo era considerado misericordioso.
"Sinto pela sua perda, mas não ficará sem punição. Você sabe disso. Cedo ou tarde, alguém terá que responder por isto." - tentou confortá-la mas isto não era exatamente sua especialidade. Ela apenas concordou com a cabeça, cujas lágrimas já secavam.
Depois de se acomodarem no elegante loft e após preparar um jantar adequado, a conversa entre eles continuava profissional e distante, sempre calculando e planejando. Em algum momento, ßønd sentiu que mais nada poderia ser feito e disse:
"Temos que descansar pois amanhã será um dia cheio." - Quando ele se preparou para ir dormir na ama que fizera no chão, ela o pegou pelo braço, detendo-o.
"Ainda não."
Seus olhar mudou, implorando por conforto. Talvez esta fosse a sua maneira de lidar com a dor ou talvez fosse uma atitude desesperada. Podia ser apenas o sexo pelo sexo, coisa da qual ele sabia que Sarah seria capaz. Mas agora, no tempo presente, onde ßønd enchia um copo de leite para ajudar a dormir, ele tinha certeza de que, seja qual fosse o motivo pelo qual ela o arrastara para a cama e ficara completamente nua na sua frente, livrando-se da camisa que vestia no lugar do surrado vestido estampado, ela jamais recusaria a oportunidade de confortar a mulher que despertava nele sempre os desejos mais impuros.
Porque, afinal, isto sim era sua especialidade.
Fim do Capítulo 10
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Um Gadget às Sextas
No mundo da espionagem digital, como o caso do hacker brasileiro K-Max pode comprovar, existem dois tipos de operativos: os paranóicos e os mortos. Ok, Vinicius Camacho não morreu, mas sua conta bancária e liberdade estão seriamente ameaçadas.

Anyway... se você - como eu - não guarda suas informações de conteúdo sensível encriptado e em HDs Virtuais ou acha muito trabalhoso e ténico , talvez se interesse por um dispositivo que até uma criança pode usar, o Personal Pocket Safe USB Drive.
O PPS USB Drive tem criptografia de 256 bits, onde você só acessa aos dados digitando uma senha em seu mini-teclado que impede acesso indevido e backup online opcional. Mais ainda, em qualquer tentativa forçada de acessar o interior do chip, tudo contido se destrói automaticamente, como nos filmes.

É claro que nos filmes o herói guarda códigos de agentes infiltrados, informações sobre posicionamento de submarinos nucleares ou provas concludentes de adutério de chefes de estado. Você, eu suponho, apenas não quer deixar exposta sua coleção de Playboy digital, não quer que venha a público suas deliciosas receitas de família ou seus mp3s da discografia da Kelly Key que você secretamente adora. Não minta, algum mp3 vexatório você tem.
Anyway... se você - como eu - não guarda suas informações de conteúdo sensível encriptado e em HDs Virtuais ou acha muito trabalhoso e ténico , talvez se interesse por um dispositivo que até uma criança pode usar, o Personal Pocket Safe USB Drive.
O PPS USB Drive tem criptografia de 256 bits, onde você só acessa aos dados digitando uma senha em seu mini-teclado que impede acesso indevido e backup online opcional. Mais ainda, em qualquer tentativa forçada de acessar o interior do chip, tudo contido se destrói automaticamente, como nos filmes.
É claro que nos filmes o herói guarda códigos de agentes infiltrados, informações sobre posicionamento de submarinos nucleares ou provas concludentes de adutério de chefes de estado. Você, eu suponho, apenas não quer deixar exposta sua coleção de Playboy digital, não quer que venha a público suas deliciosas receitas de família ou seus mp3s da discografia da Kelly Key que você secretamente adora. Não minta, algum mp3 vexatório você tem.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Contos de Espionagem
Capítulo 9 - A Dois Passos do Paraíso
A bala acertou o alvo a 10 metros de distância.
Onde antes existia um órgão vital agora provavelmente exibia-se apenas uma nefasta mancha vermelha escapando sangue e outros fluidos indefiníveis. O homem ajoelhou-se no chão sem forças para segurar nem mesmo sua própria arma. O segundo disparo terminou o serviço, explodindo o pescoço e quase separando sua cabeça do corpo, o qual tombou definitivamente.
"2 balas, restam 12" - o pensamento ocorreu a ØØ7 assim que pôde se levantar e mirar nas pessoas cujo único propósito era garantir que nem ele e nem Sarah Bat-Seraph saíssem com vida dali.
Abaixou-se a tempo de ver que as rajadas de fuzil de assalto, provavelmente M4A1, em retaliação. Seu instinto estava correto. O crime organizado não arriscaria uma ação ofensiva na área nobre de São Paulo a não ser que fosse muito bem recompensado e com alguma garantia de saírem ilesos. Estes atacantes não eram locais, ßønd estava quase certo que eram mercenários internacionais.
Melhor para ele, suas chances melhorariam.
Percebeu que a garçonete que lhe servira o martini ainda estava agachada buscando proteção atrás de uma mesa próxima à entrada da cozinha. Fez um silencioso sinal militar para Bat-Seraph indicando o caminho e que a cobriria enquanto isso. Bat-Seraph apertou o gatilho algumas vezes e correu em direção à cozinha, empurrando a garçonete no caminho para tirá-la do torpor. ßønd disparou mais algumas vezes na direção dos oponentes, protegendo-as.
Respirou fundo e se retesou preparando-se para pegar impulso. De repente, mudou de idéia e rolou para o lado onde estava o corpo de Schuved. Vasculhou seus bolsos, encontrando sua carteira e suas chaves. Agora sim ele poderia se arriscar a partir. Levantou-se de primeira e correu sem olhar para mais nada a não ser a porta salvadora. Pedaços de plástico e vidro voavam atrás dele e na frente e o som da descarga dos fuzis era agora incessante.
Atravessando o portal da cozinha, Bat-Seraph o esperava em uma das saídas verificando a segurança. Ela foi em frente, enquanto ØØ7 avistou um objeto na pia e o guardou no paletó e só depois a seguiu. A garçonete - que se sentira mais segura agora - mostrou a ambos a saída, abriu a porta e fugiu o mais rápido possível do local. Não havia problemas em deixá-la só agora. Não era exatamente ela que os inimigos queriam.
Sarah sinalizou que iria atravessar a rua e ßønd indicou a direção em que o Aston Martin estava estacionado. Com alguma sorte, eliminariam a maior parte do comboio, permitindo sua fuga com mais facilidade.
Isto não poderia se alongar, a experiência de ßønd no país dizia a ele que logo a polícia chegaria atirando primeiro e perguntando depois o que ocasionaria baixas terríveis para o lado da lei, algo que ele não poderia permitir pois comprometeria toda a investigação.
Atravessaram a rua com armas em punho e olhos atentos. Não demorou para que dois atacantes surgissem pela porta do restaurante mirando e atirando e Sarah jogou-se no chão procurando dificultar o trabalho dos assassinos. ßønd procurou abrigo atrás de um enorme utilitário estacionado do outro lado da rua. Precisava melhorar as chances de Bat-Seraph, que rolava agora para mais perto dele.
A primeira rajada dos fuzis atravessou as janelas do automóvel, causando pânico nos motoristas que cruzavam a pista até então despreocupados. Ele se abaixou e por debaixo do veículo conseguia ver Sarah atirando de volta com seu corpo jogado ao chão. O segundo atirador levantou um walk-talkie para informar sua posição e dando a ØØ7 os segundos que ele precisava. Esticou os braços por entre as janelas estilhaçadas, perdendo um segundo para mirar. Fez um disparo. Dois. Três.
O walk-talkie do segundo atacante foi o primeiro a atingir o solo, seguido do seu dono, pois o segundo e terceiro disparo perfuraram seu peito matando-o. ßønd olhou para Sarah, que se protegera debaixo do chassi do enorme utilitário e atirou também. Nenhuma de suas balas acertaram o alvo mas forçaram seu oponente a se esconder atrás de um veículo, na calçada oposta vendo que estava em desvantagem numérica. ßønd e Sarah sabiam que seu próximo passo seria informar os outros onde estavam.
Não que fosse necessário.
Após este pequeno combate todos sabiam o que acontecia naquele pedaço do quarteirão. Ainda teriam que atravessar uma pista movimentada e chegar até o Aston Martin. Sarah saiu pelo outro lado do veículo e postou-se ao lado de ßønd.
"E agora ?" - ela perguntou.
"Agora não depende de nós." - ele respondeu.
"No três, então ?" - perguntou. Ele disse que sim.
" 1, 2,..." - o terceiro número foi contado mentalmente e então levantaram-se correndo como nunca antes. Sarah foi na frente com sua Sig Sauer P229 sendo apontada ameaçadoramente para todos os lados por onde eles talvez aparecessem. ßønd foi cobrindo a retaguarda e estranhamente nada avistava.
Atravessaram as duas pistas da avenida, alcançando o carro. Bat-Seraph foi avisada das particularidades do DB9 e não o tocou ainda. ßønd levou a mão ao bolso, trazendo o controle remoto do segredo e desativando-o quando ouviu, saindo de lugar algum, uma voz fria e calma :
"Por favor, não se mexam."
ßønd não ousou se mover e Sarah apenas voltou-se para localizar o dono da voz.
"Larguem as armas e deixem as mãos em lugar seguro. Ou pelo menos, seguro para mim."
ßønd deixou a ASP cair, junto com a Sig Sauer de Bat-Seraph logo em seguida. Depois voltou-se com as mãos na cabeça para visualizar o inimigo. O homem de voz fria não era muito alto mas possuía uma aparência de brutalidade que superava qualquer outra desvantagem física. Aparentava ser latino, uma vantagem neste local, ao contrário da aparência bretã de ØØ7. O homem recolheu as armas e continuou.
"Agora entrem no carro, na frente. Eu irei atrás. Minhas ordens são para levar ambos com vida, mas não necessariamente inteiros. Então, qualquer imprevisto serei obrigado a destroçar seus joelhos ou qualquer ponto não vital."
Sarah tentou esboçar uma reação verbal mas ßønd a deteve.
"Não se preocupe. Vai ser um choque quando nosso anfitrião descobrir do que somos capazes." - disse baixinho.
Então obedeceram inicialmente.
ßønd sentou-se ao banco do motorista, e Sarah ao seu lado o encarou como se perguntasse qual o seu plano. Quando o homem de voz fria encostou na porta preparando-se para entrar, ßønd apertou um botão no controle remoto.
A descarga elétrica do sistema de segurança não era mortal, apenas o suficiente para impactar um inimigo e deixa-lo tonto por alguns segundos, como um taser. O homem de voz fria cambaleou para trás, soltando a arma que estava em suas mãos e Sarah saiu do carro, avançando para ele.
Apesar de Sarah ser bem treinada, o homem de voz fria recuperou-se parcialmente do golpe e a agarrou já pronto para puxar as armas recolhidas. ßønd saiu pelo seu lado da porta mas não entrou na disputa. Apenas chamou por Sarah, que quando o viu entendeu o que ia ser feito.
Quando o homem de voz fria conseguiu desvencilhar uma das mãos e alcançou a Sig Sauer de Sarah, ßønd puxou de seu paletó uma faca de cozinha que roubara do restaurante, jogou para Sarah, que a agarrou no ar e cravou com toda força na têmpora do homem de voz fria.
Ele finalmente caiu morto.
Não havia tempo para respirar. ßønd gritou para que Bat-Seraph entrasse no carro e pulou para a direção. Manobrou e saiu do local o mais rápido possível. As sirenes de polícia podiam ser ouvidas já próximas e não deveriam estar ali quando elas chegassem. Entrou por uma paralela à avenida e resolveu ir pelas ruas de dentro, menores, acelerando uma velocidade segura e ultrapassando poucos carros e finalmente parando embaixo debaixo de uma árvore de folhas grossas, usando sua sombra como proteção.
"Eles sabem onde estamos hospedados, qual o próximo passo ?" - Sarah questionou com amabilidade.
" Você me diz. Sou capaz de apostar de que sabe o nosso novo endereço. " - e mostrou as chaves que retirou das roupas de Schuved.
Ela emudeceu, uma vez que não queria amaldiçoar o homem que acabara de salvar sua vida.
Fim do capítulo 9.
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